Reação do sujeito frente ao final da carreira profissional

 Reação do sujeito frente ao final da carreira profissional

  Karina Santana da Silva

Com o objetivo principal de analisar quais as reações do sujeito no final de sua carreira profissional, a relação entre aposentar e perspectivas de novos projetos de vida,

buscamos verificar os possíveis surgimentos ou não de doenças nesta fase de transição do indivíduo; como o sujeito reage psicologicamente; e se há algum projeto da sua parte após o fim de sua carreira profissional e se o mesmo demonstra alguma alteração em seu meio social. Este é um tema bem atual e pouco explorado, sendo, que hoje em dia a longevidade vem aumentando cada vez mais.

Apresenta-se aqui um trabalho estruturado em embasamento teórico e pesquisa com dois indivíduos que estão ao final de sua carreira profissional. Os entrevistados foram uma professora de escola particular e um militar. Cada sujeito foi entrevistado, conforme um roteiro previamente estruturado, sendo consentida gravação somente por parte de um dos entrevistados (no caso a professora).

O conteúdo da entrevista com o militar trouxe informações que os mesmos recebem apoio e preparação no final de sua carreira profissional. Antes P.P.I (Plano de preparação para inatividade) hoje P.P.R (Plano de preparação para reserva).

E a entrevista com a professora mostrou como a queda na qualidade e a falta de apoio e estrutura do governo para com a educação nas escolas públicas contribuem para um desejo precoce de aposentadoria dos professores.

Palavra-chave: aposentadoria, mudanças, sentimentos.

Pesquisas mostram que houve um aumento considerável na longevidade e o Brasil não é mais um pai constituído de jovens. A população de idosos vem crescendo bastante, onde vários fatores contribuem para isso. Por ser um país capitalista, varias empresas, num intuito de modernização e para vencer a competitividade, acreditam que no mercado a força jovem tem uma maior contribuição para novas mudanças e tem potencial e energia suficiente para a função exigida. . Com isso, tais empresas acabam por aposentar pessoas inteligentes e capazes de continuar no mercado. E para muitos aposentar está ligado a envelhecer.

Antigamente a média de vida de uma pessoa em atividade era de 65 anos. Hoje a longevidade aumentou devido a uma boa alimentação, tratamentos médicos e à forma de viver. Isto fez com que a O.M.S (Organização Mundial de Saúde) elevasse a idade acima para 75 anos (WEB google)*

O envelhecimento é inevitável. Na velhice ocorrem mudanças onde, para alguns indivíduos, será muito difícil de aceitar está nova etapa da vida, e muitos passarão por isso ainda muito jovem, enquanto que para outros será de forma bastante tranqüila.

Dependerá da experiência de cada pessoa, pois se trata de algo pessoal, natural e inevitável.

Como preparar o indivíduo para esta nova etapa de sua vida, que é o final de carreira? É preciso que se dê um suporte, principalmente, psicológico para que este indivíduo tenha equilíbrio para lidar com mais facilidade com esta nova identidade adquirida, que é ser aposentado.

O medo e a incerteza são fatores fortes que o indivíduo adquirem ao final de sua carreira profissional, pois poderá não ter mais o mesmo padrão de vida como do período de atividade. . Alguns autores acreditam que muitos retornam ao mercado de trabalho onde possam manter as mesmas condições de vida. Outros autores afirmam que é para preencher o vazio social.

Concordando com esses autores acrescentamos que a maioria dos seres humanos sentem necessidade de aprovação, apreço por parte do outro e que somente em atividade poderão adquirir o desejado. E a forma na qual encontrarão é mostrando que ainda são úteis na sociedade e na família. Que de acordo com alguns depoimentos de pessoas já aposentadas trata-se talvez de algo cultural, no momento que o indivíduo se aposenta é considerando inútil e velho. Essas pessoas disseram já ter sentido isso na pele.

Como bem disse Peixoto, autora de livros sobre a terceira idade, avisa que está na hora do País se preocupar com o assunto. E também, que existem várias maneiras de tratar a velhice. As pesquisas que ela tem realizado mostram a participação importante dessas pessoas nas atividades familiares, onde muitas vezes são os avós que são responsáveis pela manutenção e educação dos netos. “Pesquisa comparativa entre França e Brasil que realizei em 2000”. (“Família e envelhecimento” Ed. FGV 2004).

Calcula-se que no ano 2025 a população de idosos no Brasil será em torno de 34 milhões.

O autor Veras retrata em sua obra sociedade alternativa na sociedade em transição 1999 o com é importante sempre deixar o sujeito ativo , dar novas oportunidades de mostrar seu potencial, através de empregos, projetos e etc.

Hoje parece ser vergonhoso ser velho, e assim os indivíduos idosos, usam de todo artifício para esconder a idade, e as vezes emitem comportamentos irresponsáveis de muitos adolescentes. Tudo se faz para esconder a velhice quando o individuo esta próximo do final da carreira profissional, o mesmo pensa ser inútil e começa agir de tal forma que mostre o contrario, tentando se mostrar ativo a todo momento.

Hoje já há áreas especializadas de estudo de Geriatria: ramo da medicina que cuida da saúde dos idosos e Gerontologia que estuda as mudanças que acompanha o envelhecimento do ponto de vista psicológico, sociológico e a natureza e formas de adaptação do homem e suas transformações sociais e culturais.

Percebe-se que autores como Eriksom, deixou obras maravilhosas que retratam cada etapa de ciclos, onde sua esposa terminando sua obra (O ciclo da vida completa). Trata-se do último estágio do ciclo e relata muito bem com orientações como lidar e entender estes indivíduos neste estágio.

“Envelhecer jovem é não descuidar da vida. É não ser apenas um contador de histórias antigas, mas alguém que vive histórias novas”. Germann, 2004.

 

Em entrevista com o militar Cabo J.S.A hoje com 47 anos e, de acordo com a fala dele, bastante exausto, com uma trajetória de 28 anos e 9 meses de carreira como militar sendo, 27 anos como PM e 1 ano e meio promovido a cabo através de uma lei onde promoveu todos os militares com mais de 10 anos na graduação. Por problemas de saúde ainda não está sendo atendido pelo P.P.R que na sua opinião tem sido de grande valia e que surgiu pela necessidade de muitos companheiros ao final de sua carreira profissional sofrer bastante, pois se apegavam muito aos amigos e muito mais as fardas.

Nosso entrevistado entrou para a PM através de concurso C.F.S.D ( curso de formação de soldado) porque teve vontade de conhecer a Instituição e também pelo salário. Está bastante depressivo buscando ajuda de psicólogos e psiquiatras, pois diz correr riscos de vida 24 horas por dia, sentindo-se ameaçado, porque a partir do momento que estão fardados, tem que estar preparado para o que der e vier.

A 24º companhia do 16º batalhão está a 13 anos no bairro São Gabriel na Rua Valter Ianini 80 tel. 34930256 ou 34934330, com uma média de 120 homens efetivos, onde os oficiais que entrarem agora, passarão por um concurso C.A.O (curso de aperfeiçoamento oficial).

As mudanças que surgem em sua vida são de muito stresse que acaba por desestruturar a família, pois por mais que tentem não conseguem não levar problemas do trabalho para a família. A avaliação que faz por tempo de serviço é que foi razoável porque por mais que tentam acertar há grandes falhas. Acredita ter aprendido muito, com bastantes conhecimentos que não teria obtido nem um terço fora da Instituição.

Seus planos para o futuro assim que aposentar será de ir para uma cidade do interior. Não justifica que no interior haja mais tranqüilidade, mas é que lá todos se conhecem e fica mais fácil para lidar com o próximo.

Se pudesse teria se aposentado com 25 anos de profissão, pois o desgaste é muito grande e antes não contavam com suportes como: armas, veículos, uniformes, etc dignos para que pudessem desenvolver um bom trabalho.

Os casos de que não gosta de atender são brigas conjugais. Por mais que tentam resolver da melhor forma possível, recebem várias criticas encima das atitudes tomada.

Antes de começarmos nossa entrevista fomos recebidas por um oficial Coronel M.Z Z já há 30 anos aposentado em conversa informal, nos revelou tamanha angustia, tristeza, transtorno psicológico sofrido por ele e pela família na época de sua aposentadoria, onde o mesmo não recebeu nenhum acompanhamento porque naquela ocasião não existia ainda o P.P.I .

Nossa outra entrevistada foi uma professora E.M.O.D, que atualmente leciona no Colégio São Miguel Arcanjo, Bairro Nova Floresta horário matutino e na Escola Municipal Carlos Lacerda no horário noturno. E.M. tem 53 anos e está aposentando por tempo de serviço, sendo que dos 30 anos de carreira, somente 17 anos como professora. E.M. trabalha nesta Instituição há 11 anos e relata que esteve em processo de separação conjugal e o quanto a Instituição a ajudou neste momento tão difícil de sua vida, disse senti-los com uma família.

Enquanto respondia as perguntas folheava alguns trabalhos de seus alunos, que posteriormente informou-nos que se tratava de um trabalho pedagógico que realizou com seus alunos.

E.M. relata sua trajetória profissional e nos fala das diferenças entre as instituições públicas e privadas. Na pública é muito difícil realizar seu trabalho como professor o que não acontece na privada. Disse não estar preparada para aposentar da Instituição privada, porém se sente exausta e necessitava urgentemente da aposentadoria da instituição pública exatamente por devidas diferenças já citadas.

Uns sentidos bastante relevantes, percebidos através das entrevistas, é que ambos os sujeitos, revelaram não continuar morando em cidade grande, após a sua aposentadoria. Irão buscar mais tranqüilidade em cidades do interior onde acreditam que terão possibilidade de viver melhor nesta nova condição que é ser aposentado.

Conclusão

Através desta pesquisa conseguimos fortalecer a idéia de que o fim da carreira profissional é muito importante na vida do individuo,pois, está muito ligada a velhice e ainda passa-se a idéia de inatividade, devido a dificuldade de conseguir um emprego nesta faixa de idade.

Hoje para o indivíduo é muito difícil de lidar com a velhice e aposentadoria. É também passagem de um tempo de tarefas e obrigações para um tempo livre; onde percebemos em nossos entrevistados, angústia em tratar do assunto, pois há mudanças de hábitos não só para eles que estão se aposentando como também para a família. Algo bastante relevante, percebido através das entrevistas, é que ambos os sujeitos, revelaram não continuar morando em cidade grande, após a sua aposentadoria. Irão buscar mais tranqüilidade em cidades do interior onde acreditam que terão possibilidade de viver melhor nesta nova condição que é ser aposentado. É uma etapa que necessita de muita preparação, confiança e segurança para um equilíbrio psicológico do aposentado. Pois não é o fim de uma etapa de atividade ,mas sim o inicio de uma nova etapa onde o indivíduo vai poder explorar mais de sua experiência e realizar novos planos e tarefas.

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2018-10-01T10:05:22-03:00
Neuropsicóloga - CRP: 04/32975 Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental

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